A surdocegueira e as formas de comunicação, por Daiane Galvão

Públicado em 10/10/2017
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Daiane

A surdocegueira é considerada uma deficiência única, sendo que a pessoa pode ter comprometimento da visão e da audição em diferentes níveis, a sua classificação depende se houve ou não aquisição de uma língua, sendo chamada de surdocegueira pré-linguística ou pós-linguística. Na pré-linguística, a pessoa com surdocegueira não adquiriu nenhuma língua e, na pós-linguística, existe o domínio de pelo menos uma língua, seja a língua oral ou de sinais. Uma das principais causas da surdocegueira pós-linguística é a Síndrome de Usher, que é proveniente de genes recessivos, em que a criança nasce surda e tem perdas gradativas da visão no decorrer da vida, podendo ter resíduos visuais ou ficar totalmente cega. (NASCIMENTO e COSTA, 2010; NASCIMENTO, et.al., 2010).

A forma de comunicação do surdocego depende do grau de comprometimento das perdas sensoriais. Maia (2010) separa a comunicação em três níveis: básico, médio e alto, sendo que quanto maior o comprometimento dos sentidos da visão e/ou da audição menor é o nível de comunicação. Um sistema de comunicação que pode ser utilizado por surdocegos com maior comprometimento da visão e da audição é o Tadoma, que é um método de comunicação em que a pessoa surdocega deve colocar a mão no queixo e na face da pessoa falante, sentindo a vibração e articulação das palavras, conseguindo assim, receber a fala através do tato (BOSCO, et.al., 2010; SANTOS, et.al. 2009).

No nível médio de comunicação, se enquadram os surdocegos que possuem resíduos visuais e/ou auditivos, o que os permite a aprendizagem espontânea, por imitação; já os que utilizam diversos sistemas de comunicação como Libras, Libras Tátil, Libras no campo visual reduzido, Braille, Braille tátil, escrita ampliada ou escrita na palma da mão, estão classificados no nível alto de comunicação. Na escola, podem receber o apoio do guia intérprete e instrutor mediador, e a intervenção deve favorecer a comunicação, a orientação e mobilidade, objetivando principalmente a aprendizagem para uma futura profissão (MAIA, 2010).

Além de uma comunicação eficiente, o aprendizado pode ser melhorado quando o aluno surdocego frequenta o Atendimento Educacional Especializado, que acontece nas Salas de Recursos Multifuncionais, lugar que possui diversos materiais de uso dos alunos e com finalidades específicas ou aqueles que são adaptados.

Assim, é incontestável que as pessoas com surdocegueira, em especial as que frequentam a escola regular, podem ser independentes e, principalmente, ter qualidade de vida, mas para que isso aconteça é preciso uma organização adequada da escola e práticas pedagógicas que favoreçam os alunos com deficiência, para que eles se apropriem dos conteúdos ensinados. Na escola, todos precisam estar envolvidos com a aprendizagem e o desenvolvimento, em especial os professores, que têm contato mais próximo com os alunos com necessidades educacionais especiais e para isso precisam de conhecimentos e informações sobre as deficiências, dificuldades, aprendizado e desenvolvimento.

 

 

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