Conversando sobre educação moral, por Carla Maria de Schipper

Públicado em 31/07/2017
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A moral é desenvolvida, assim como a nossa capacidade cognitiva, sob influência do meio social e da cultura. Um dos primeiros teóricos a se preocupar com a origem da moral foi Jean Piaget. Ele estudou o desenvolvimento da moral humana através das relações das crianças com as regras e observou que todas elas, independentemente da cultura, galgam algumas etapas para desenvolverem-se moralmente.  A primeira etapa, denominada anomia, a criança não percebe a existência das regras, pois ainda está envolta no egocentrismo. A segunda, chamada heteronomia, seria a entrada no mundo da moral, onde as regras instituídas externamente pelos adultos ou por forças míticas são consideradas pelas crianças como imutáveis. Em um movimento evolutivo, ela consegue perceber que a obediência à regra não é mais externa e fruto de coação e medo, eclode assim a autonomia aos 8 até os 12 anos.

Na autonomia, a criança passa de uma moral primitiva para uma moral de cooperação. Ela já internaliza as regras e entende-as como construção coletiva e suas relações são embaladas pelo respeito mútuo e pelo sentimento de reciprocidade, enfim, a criança toma consciência de sua capacidade de tomar decisões e de fazer escolhas entre o que é certo ou errado, para si e para os outros.

Portanto, precisamos estimular o desenvolvimento sócio moral das crianças e dos adolescentes no lar e nas escolas, pois observamos que quando há alguma atividade de desenvolvimento moral ela ocorre de forma prescritiva e com vistas a manter a ordem e a obediência, o que faz a criança permanecer na heteronomia e quando adulto ser, dentre outras características, dependente, medroso e incapaz de tomar decisões. Por outro lado, a criança que não tem contato com regras e normas, no seu tempo adequado, pode permanecer na anomia e não compreender regras e normas quando adulta, achando que seus desejos devem ser atendidos de uma forma ou outra, mesmo que fira princípios éticos.

Escola, família e comunidade precisam favorecer as relações humanizadas e permeadas pelos princípios de cooperação, respeito mútuo e reciprocidade. Sabe por quê? Crianças com formação moral e ética baseada nestes princípios terão maiores chances de serem adultos solidários, éticos e altruístas.

 

Para saber mais sobre Desenvolvimento Moral:

PIAGET, Jean. O Juízo Moral na Criança. São Paulo: Summus, 1994. Original publicado em 1932.

PIAGET, Jean. Os Procedimentos de Educação Moral. In Macedo, Lino (org). Cinco estudos de educação moral. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1996. p. 1-36. Original publicado em 1930.

 

 

Carla Maria de Schipper
Graduada em Letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Itararé (FAFIT)
Graduação em PEDAGOGIA pela CESUMAR
Especialização em Psicopedagogia pelo Campus Universitário Bezerra de Menezes (UNIBEM)
Especialização em Educação para Portadores de Necessidades Educacionais Especiais pela Faculdade de Ensino Superior de Marechal Cândido Rondon (UNIRONDON)
Especialização em Ensino da Língua Portuguesa e Literaturas pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO)
Especialização em Gestão do Conhecimento no Ensino Superior pela Faculdade Guairacá
Mestrado em Educação pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO)
Doutorado em andamento em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)

 

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