Fibromialgia: a síndrome de dor crônica que envolve múltiplos cuidados, por Luciane Puerari

Públicado em 21/05/2018
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Você sente dor no seu corpo, uma dor difusa, na região do pescoço, ombros, cotovelos, mãos, peito, na base da coluna, nos quadris, nos joelhos, nos pés… esta dor é incômoda, intensa, persistente… você utiliza um analgésico que tem em casa, não passa, vai à farmácia, pede ajuda  ao balconista e tenta um adesivo, uma pomada para massagear… nada. A cama torna-se sua companheira, é difícil mover-se tamanha a dor, mas o sono não é reparador. Vai ao médico, realiza exames, usa medicamentos… a dor permanece. Percebe também que sente um cansaço desproporcional ao esforço feito, não dorme bem, tem enxaqueca, sensação de formigamento nos braços e pernas e uma irritabilidade inexplicável. Conversa com amigos e utiliza os recursos que eles indicam, nenhum alívio. Vai a um segundo especialista, mais exames, outro médico, mais exames e nessas andanças sua companheira continua sendo a dor. Como é o nome dessa dor? Quem poderá ajudar a olhar para ela, nomear, compreender sua ação, realizar as mudanças que ela pede que sejam realizadas para que a vida continue com qualidade? Neste percurso você conhece um reumatologista.

O nome da dor: fibromialgia! Esta síndrome de dor crônica é uma doença relativamente recente, com características peculiares e um diagnóstico que exige uma avaliação clínica minuciosa, pois os exames não revelam o diagnóstico ou não são suficientes para explicar tamanha dor. A especialidade médica que pesquisa, trata, cuida desse sofrimento é a reumatologia, mas os médicos não estão sozinhos nesse cuidado. Especificamente no tratamento medicamentoso, os utilizados no tratamento de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (2011) são “antidepressivos, relaxantes musculares e os neuromoduladores”.

Tão importante quanto eles, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (2011) são as atividades físicas orientadas por um profissional capacitado para isso: um educador físico. As mudanças alimentares também se fazem necessárias e o atendimento nutricional irá adequar a alimentação aos objetivos de melhoria do funcionamento do intestino, da qualidade do sono, da funcionalidade do corpo como um todo. Pode-se associar também o tratamento com fisioterapeuta, solicitar orientações dos profissionais do Serviço Social para garantia dos diretos quando há necessidade do afastamento do trabalho.

 

E a Psicologia, qual sua relação com a doença e o cuidado ao fibromiálgico?

De acordo com Goldenberg (2008) os agentes desencadeantes para o surgimento da fibromialgia são: trauma físico, trauma emocional, doenças infecciosas, perdas prolongadas do sono, grandes modificações hormonais, doenças autoimunes e também outros fatores desconhecidos.

Outro aspecto da dor é que ela é conectada ao que nos afeta. De acordo com a associação britânica Arthritis Research UK “The pain we feel is often affected by our emotions and moods – depression or stress can make the pain feel worse. At the same time, being in pain can lead to stress, worry and low mood” (2013).

As relações interpessoais também são afetadas pelo surgimento da fibromialgia, pois muitas vezes a pessoa acaba isolando-se por não conseguir participar das atividades sociais comuns, em decorrência do sofrimento presente. Goldenberg (2008) diz que “as dores físicas são agravadas por outra dor, o da incompreensão”, ou seja, o apoio social também pode ser uma das bases para o tratamento.

Sendo assim, pode-se perceber que na fibromialgia é flagrante a relação psicossomática, tanto em sua etiologia, bem como no tratamento mais adequado, e ainda, trabalho de ampliação da reflexão das pessoas próximas a quem tem fibromialgia para um apoio compreensivo. Desta forma, a intervenção do psicólogo pode ser vinculada a múltiplos fatores no cuidado à pessoa que tem fibromialgia, e a cada um desses fatores sempre a lembrança de que há, além da doença, uma pessoa que luta pela qualidade de vida a cada respirar.

 

Luciane Kellen Puerari Pauli
Graduada em Psicologia pela Universidade Estadual de Maringá
Especialista em Psicologia Analítica e Religião Oriental e Ocidental pelo Instituto de Psicologia e Religião

Referências:
GOLDENBERG, Evelin. O coração sente, o corpo dói: Como reconhecer e tratar a fibromialgia. São Paulo: Editora Atheneu, 2008.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA (SBR). Tratamento da fibromialgia. Disponível em: https://www.reumatologia.org.br/pacientes/orientacoes-ao-paciente/tratamento-da-fibromialgia/. Acesso em 16 de maio de 2018.

ARTHRITIS RESEARCH UNITED KINGDOM. Disponível em: https://www.arthritisresearchuk.org/~/media/Files/Arthritis-information/Conditions/2013%20Fibromyalgia%2016-1.ashx . Acesso em 16 de maio de 2018.

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