Para uma compreensão prática dos termos moral e ética, por Wilian Bonete

Públicado em 14/05/2018
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Filosofia

Wilian Junior Bonete
Graduado em História pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Mestre em História Social pela Universidade Estadual de Londrina
Doutorando em História pela Universidade Federal de Mato Grosso

 

Em nosso cotidiano nos deparamos com inúmeras situações em que temos que fazer escolhas e tomar decisões. Muitas vezes elas dependem daquilo que nós consideramos bom, justo, injusto, correto ou incorreto. Desse modo, orientamos nossas ações com base em nossos valores, ou seja, a partir daquilo que é mais importante ou prioridade de acordo com nossa cultura e visão de mundo.

Estamos, assim, diante do termo moral (do latim mos, mor) que significa costumes e refere-se ao conjunto de normas e princípios que orientam (livremente) todo o comportamento humano a partir dos valores de uma comunidade ou cultura.

A moral, portanto, está na raiz de nosso comportamento e pode-se traduzir na seguinte questão: que tipo de atitude devo praticar, enquanto indivíduo e como cidadão? E mais: a moral é aquilo que não faríamos, de maneira alguma, mesmo que ninguém estivesse olhando.

O termo ética, proveniente do grego Ethikos, significa “modo de ser”, “comportamento”. Etimologicamente significa a mesma coisa que moral. Porém, a ética é uma área da filosofia que investiga o que é a moral, como ela se fundamenta e se aplica nas diferentes sociedades.

E como a ética se apresenta em nosso cotidiano? A ética é arte da convivência e o seu fim último, conforme o filósofo Aristóteles, é a felicidade. A ética é um comportamento coletivo, é pensar, em conjunto, os princípios que queremos respeitar. Não há uma tabela pronta do que se deve ou não fazer. A ética é sempre inacabada e novos desafios e dilemas surgem diariamente e eles serão superados, conforme nos aponta Cortella (2015), quanto mais sólidos forem os princípios que tivermos e a preservação da integridade que desejamos.

No atual cenário da sociedade brasileira, sobretudo na política partidária, é possível perceber que a ética parece estar em crise. Constantemente vemos em noticiários das mais variadas espécies, políticos ou grandes empresas participando de negociações duvidosas, colocando a ética e a moral em xeque, rompendo valores importantes como a honestidade, respeito, lealdade, justiça em prol de ganância pelo dinheiro ou poder.

Mas não é apenas nessas escalas que a ética deve ser pensada. Como estamos nos relacionando com as pessoas que convivem conosco no dia a dia?  Buscamos sempre empreender nossas ações priorizando a ética? Não basta julgar o âmbito político se não conseguimos respeitar as regras mais básicas do cotidiano, como não furar fila, não colar em provas, não furar sinal vermelho, não estacionar em vagas para idosos ou em espaços sinalizados como proibidos, e assim por diante.

Para todos os efeitos, a ética se configura, conforme Cortella (2015), a partir de três perguntas: Quero? Devo? Posso? A moral será sempre a prática das suas respostas.

 

Referências utilizadas:
CORTELLA, Mario Sérgio. Qual é a tua obra? 24 Edª. Petrópolis: Vozes, 2015.
DA MATTA, Roberto. O que faz do brasil, Brasil? Rio de Janeiro: Rocco, 1984.
SIDWICK, Henry. História da Ética. São Paulo: Ícone editora, 2010.

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