Felicidade: o que a Filosofia nos diz sobre este assunto? por Wilian Bonete

Públicado em 14/03/2018
Imprimir
Os desafios da vida acadêmica

Wilian Junior Bonete
Graduado em História pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Mestre em História Social pela Universidade Estadual de Londrina
Doutorando em História pela Universidade Federal de Mato Grosso
Professor do Colegiado de Pedagogia da Faculdade Guairacá

 

O termo felicidade é proveniente do latim felicitas, que significa “fértil, frutuoso, fecundo”. Felicidade pode ser definida como um estado de fecundidade que gera vida e vitaliza nossa existência (ABBAGNANO, Dicionário de Filosofia). Mas o que isso realmente significa?

Encontramos o tema felicidade em quase todos os lugares. É muito comum ligarmos a TV e nos depararmos com inúmeras propagandas repletas de pessoas alegres e sorridentes. Os exemplos são inúmeros, como: famílias tomando um belo café da manhã (propagandas de margarina); grupos familiares e jovens compartilhando bons momentos (propagandas de refrigerantes) ou pessoas sendo felizes comprando carros ou imóveis.

Por ser um termo tão recorrente em nosso vocabulário, falar de felicidade pode parecer algo comum e banal. As pessoas afirmam que estão felizes, que querem ser felizes, que precisam ser felizes e entendem que a felicidade é um direito, é o que traz sentido para a vida.

A sociedade contemporânea é muito boa em garantir felicidade. Desde criança ela nos impõe um rol de objetivos e conquistas das quais somente as alcançando é que poderíamos atingir um certo grau felicidade, como por exemplo, entrar na escola, cursar uma faculdade, garantir um estágio, garantir a efetivação do emprego, formar uma família, ter filhos, ganhar dinheiro, ficar rico, ter uma boa saúde, viajar, ter um carro, ter uma casa, viver em harmonia, e no mais, a felicidade será a soma perfeita de todos esses elementos.

Mas o que a Filosofia tem a nos dizer sobre a felicidade? São vários os filósofos que se debruçaram sobre esse tema e elegi apenas dois: Platão e Aristóteles.

Platão (427-347 a.C.) foi um dos principais pensadores gregos a buscar uma felicidade estável. Para Platão, o mundo material (em que vivemos) é enganoso, instável, e logo, não pode gerar felicidade. O caminho da felicidade seria então o abandono das ilusões em direção ao mundo das ideias (inteligível e perfeito), até que se alcance o conhecimento supremo, a ideia do bem.

A felicidade, para Platão, é o resultado de uma vida dedicada a um conhecimento progressivo que permita atingir a ideia do bem. Sintetiza-se sua concepção da seguinte forma: Conhecimento = Bondade = Felicidade.

Outro filósofo grego que nos fornece uma definição de felicidade é Aristóteles (384-322 a.C.). Sem tirar os pés do chão, este filósofo afirma que não se pode abandonar a companhia da família, dos amigos, a riqueza e o poder. Todos esses elementos, e o prazer que deles resulta, promovem o bem-estar material e a paz social, indispensáveis à vida humana.

Além disso, na concepção de Aristóteles, o desfrutar de tais prazeres deve estar vinculado ao exercício (prático) de virtudes, como a generosidade, a coragem, a cortesia e a justiça, que no seu conjunto, podem contribuir para a felicidade completa do ser humano.

 

E para você: o que é felicidade?

0 Comentários

Felicidade: o que a Filosofia nos diz sobre este assunto? por Wilian Bonete