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“Faz escuro, mas eu canto”, por Valdoni Moro Batista
“Faz escuro, mas eu canto”, por Valdoni Moro Batista

Valdoni Moro Batista
Graduado em Arte-Educação pela Unicentro
Pós-graduado em Ensino em Tempo Integral pela Faculdade São Braz
Mestre em Educação pela Unicentro

 

Já esclareço, a frase do título não é minha, como eu gostaria que fosse! Resta-me apenas admirar a sua perfeição poética criada por Thiago de Mello em 1965 e utilizada como título da 34ª Bienal de São Paulo. Como é possível perceber, a poesia é velha, mas se aplica perfeitamente ao tempo presente. O seu uso como título, pelos curadores do evento, não estava ligado à pandemia e ao isolamento social, mas acabou refletindo este cenário de incerteza e reafirmando a importância da arte para tornar nossas vidas mais completas.

A frase do título é impactante porque apresenta aspectos da temporalidade e da atemporalidade – características comuns na arte. A temporalidade diz respeito ao contexto histórico e cultural que deu origem à produção artística, neste caso os primeiros anos da Ditadura Militar brasileira e os tempos sombrios que se seguiriam. Mas a poesia não se limita a tal contexto histórico, pois está relacionada à percepção e à emoção humana que nos une empaticamente diante da proeminência de um futuro catastrófico. A atemporalidade está ligada a universalidade de sentidos que a arte contempla ao abordar questões humanas que afetam pessoas de diversos tempos e culturas. Deste modo, a produção artística é sempre renovada a partir das reinterpretações que vão sendo realizadas ao longo do tempo.

Mesmo que a arte de outros períodos históricos apresentem relevância na atualidade devido à sua atemporalidade, nada substitui a vivência e fruição da arte de nosso tempo. A Bienal de Arte de São Paulo é um evento que possibilita encontros com propostas artísticas contemporâneas voltadas a questionamentos políticos e culturais. Neste ano, sob curadoria de Jacopo Crivelli Visconti e equipe, o evento busca refletir sobre espaço, tempo e profundidade dando atenção especial à poética das relações.

A arte contemporânea causa certo estranhamento, tanto por tratar de temas atuais, quanto por sua própria constituição artística que amplia as possibilidades de materiais, técnicas e procedimentos artísticos. O acaso, o inacabamento, a efemeridade são conceitos comuns e instigam o público a refletir sobre os limites da arte e da vida.

A 34ª Bienal de São Paulo teve início em fevereiro com uma exposição da artista Ximena Garrido Lecca e uma ação performática de Neo Muyanga. Entretanto, o mundo foi surpreendido com a necessidade de restrição do convívio social e o evento necessitou de alguns ajustes. De acordo com o site do evento, as exposições serão realizadas a partir de setembro de 2021, mas até lá o público poderá realizar visitas virtuais, assistir conversas entre curadores e artistas, bem como, participar de minicursos.

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