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Como estão os serviços estéticos em tempo de pandemia? Por Syndel Stefanes

A rotina nos estabelecimentos mudou bastante desde o anúncio da pandemia. Na área da beleza não foi diferente.

08/04/2021 09h45

Completamos pouco mais de um ano de isolamento social, e parece que enquanto a vacinação se torna uma realidade comum, a infecção aterroriza estabilidade. A pandemia alterou a homeostasia do sistema e o universo teve que se reinventar, mas no meio desse cenário, como ficaram os serviços estéticos? 

Frente a uma crise global, uma desaceleração econômica em massa, um território totalmente instável entre saúde e necessidade de trabalho, os olhares sombrios que permeavam o futuro da estética vieram aos poucos encontrando uma luz no fim do túnel.  Muito se fala sobre serviços essenciais e não essenciais, todavia, a necessidade de se sentir bem é inerente ao bem-estar físico e mental de um indivíduo (TÜRSEN et al. 2020).

Muitos países decidiram permitir a abertura de práticas que requerem contato individual, como odontologia, fisioterapia e estética, desde que sigam estritamente as orientações de controle de infecção. Um grupo de pesquisadores propôs um Guidelines, com relação às práticas preferenciais em uma clínica estética durante o período (KAPOOR et al. 2020).

As primeiras diretrizes são a respeito do agendamento dos pacientes. Orienta-se agendamento prévio obrigatório, o cálculo da duração do procedimento desde o momento da chegada à hora de saída, para que não sobrecarregue a sala de espera e seja possível realizar a limpeza e desinfecção dos materiais. Em seguida, o consenso propõe medidas de triagem e categorização dos pacientes, como controle de temperatura sem contato, e o histórico de viagem ou contato com alguém infectado. Dessa forma, esses dados predispõem se esse paciente poderá ou não ser atendido. 

Em sequência ao Guidelines, com base no tipo de procedimento (procedimento gerador de aerossol versus procedimento não gerador de aerossol), área a ser tratada (face / corpo) e a duração do procedimento, classifica os mais diversos serviços estéticos em baixo, médio e alto risco. Destacamos aqui, uma simples limpeza de pele seguida de microdermoabrasão, um método relativamente simples e amplamente desenvolvido, foi considerado um procedimento de alto risco, devido a possível geração de aerossóis, a impossibilidade do paciente utilizar máscara e o longo tempo de duração. Com base nessa classificação, o estudo também propõe os equipamentos de proteção individual (EPI) necessários para cada procedimento. As luvas estéreis descartáveis, a touca cirúrgica, a máscara e a proteção para os olhos são indispensáveis em qualquer técnica, independente da classificação de risco.

O estudo finaliza o consenso, com as diretrizes para limpeza geral em clínicas de estética. Destaca-se aqui a implementação de barreiras físicas: painéis de janelas de plástico / acrílico ou divisórias de vidro para reduzir a exposição da equipe; vigilância de duas horas para realizar o protocolo de lavagem à mão; estações de higienização distribuídas e disponíveis em pontos estratégicos das clínicas e a remoção de todo o material não essencial, como revistas, jornais, e todos os artefatos de decoração que não possam ser limpos e desinfetados regularmente. O processo de limpeza deve começar a partir de áreas mais limpas e, em seguida, mover para áreas mais sujas no ambiente de trabalho, além disso, o estudo sugere soluções à base de álcool, como isopropanol ou etanol e soluções com hipoclorito de sódio a 1%.  Superfícies como bancadas de recepção, tampos de mesa, cadeiras, registros e canetas, devem ser cuidadosamente limpos com uma solução de hipoclorito de sódio a 1% ou um desinfetante à base de álcool de 60–70 %. A atenção também deve à superfícies metálicas: uma vez que o vírus pode sobreviver por dias nessas regiões, as quais devem ser desinfetadas de três a quatro vezes ao dia (KAMPF et al. 2020).

As recomendações acima não significam necessariamente uma receita de bolo, e sim uma abordagem de equilíbrio entre contratempos financeiros e preocupações: sobre si mesmo, sobre a equipe e a segurança de nossos pacientes (KANDHARI et al. 2020). 

A estética não pode, e não deve parar, carregamos a responsabilidade de cuidar do bem-estar e da satisfação de quem nos procura, e não há nada mais bonito que informar a sociedade que os devidos cuidados estão em evidência para proporcionar atendimentos de qualidade com toda a segurança adequada. Afinal, o essencial de tudo isso é sentir-se bem. 

 

Referências
Kampf G, Todt D, Pfaender S, Steinmann E. Persistence of coronaviruses on inanimate surfaces and their inactivation with biocidal agents. J Hosp Infect. 2020;104(3):246-251

Kandhari R, Kohli M, Trasi S, Vedamurthy M, Chhabra C, Shetty K, Dhawan S, Rajan R. The changing paradigm of an aesthetic practice during the COVID-19 pandemic: An expert consensus. Dermatol Ther. 2021 Jan;34(1):e14382. doi: 10.1111/dth.14382. Epub 2020 Oct 28. PMID: 33090637; PMCID: PMC7646018.

Kapoor KM, Chatrath V, Boxley SG, Nurlin I, Snozzi P, Demosthenous N, Belo V, Chan WM, Kanaris N, Kapoor P. COVID-19 Pandemic: Consensus guidelines for preferred practices in an aesthetic clinic. Dermatol Ther. 2020 Jul;33(4):e13597. doi: 10.1111/dth.13597. Epub 2020 Jun 13. PMID: 32415753; PMCID: PMC7267045.

Türsen Ü, Türsen B, Lotti T. Aesthetic dermatology procedures in coronavirus days. J Cosmet Dermatol. 2020 Aug;19(8):1822-1825. doi: 10.1111/jocd.13509. Epub 2020 Jun 18. PMID: 32460391; PMCID: PMC7283731.