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Odontologia no cárcere, por Wolnei Luiz Centenaro

Através do Projeto “Odontologia em Presídios”, acadêmicos levam aos que estão sob condições de reclusão um pouco de alento.

16/11/2021 16h37

Todos os dias esta profissão surpreende a todos que a ela se dedicam com algo positivo. Como se não bastasse a propriedade e competência que nos delega de única e exclusivamente poder com nossa técnica, ciência, habilidades e competências, devolver sorrisos e aliviar dores, ela nos leva dentro de um contexto social a exercer estes dons em um local que a grande maioria da sociedade desconhece. 

Através do Projeto “Odontologia em Presídios”, acadêmicos, acompanhados de professores da UniGuairacá levam aos que estão sob condições de reclusão um pouco de alento, especialmente em relação ao alívio da dor e remoção de focos infecciosos adquiridos durante o período em que lá permanecem. A vivência e o conhecimento adquiridos sob estas condições vão muito além da odontologia tecnicista. Os atores principais nesta peça dão lugar ao humanismo; o sentimento de profissionalismo e os preceitos feitos durante o juramento no ato da conclusão do curso: “exercer a odontologia, sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência”.

Independentemente de suas vidas pregressas e dos erros que por ventura tenham cometido, nos deparamos com histórias de dor que chegam à beira da loucura. Tentativas de alívio com instrumentos aos quais o mesmo tem alcance, tais como, utensílios para alimentação, garfos, colheres e mesmo o arremesso do corpo e da boca contra grades, paredes, tentativas frustradas e mal sucedidas de transferir para outras partes do corpo a sensação dolorosa insuportável a qualquer ser humano. A ciência comprova que a dor de origem odontológica é uma das quatro piores dores que o ser humano pode tentar suportar. Entre elas, estão a dor do infarto agudo do miocárdio, parto, cálculo renal e de origem odontológica. 

Sabe-se e convive-se todos os dias e em todos os setores da vida humana com as ineficiências do estado como um todo, não nos compete discutir isto nestas poucas linhas, talvez muitos dos que promovem a citada devessem estar naquele mesmo local e vivendo as mesmas situações ao invés de privilégios adquiridos por conta de um mandato parlamentar. Conseguimos perceber de maneira muito nítida e queremos enaltecer a competência e dedicação dos administradores e funcionários desta entidade penitenciária que não medem esforços para transformar um cárcere num ambiente com condições dignas de sobrevivência. É evidente para os que, assim como nós, inserem-se neste local oito ou dezesseis horas por semana, perceber a vibração com cada pequena conquista, com cada dor que é aliviada, com cada sofrimento interrompido. Ao contrário do que a mídia revela e escancara ao mundo, este local ao qual o curso de Odontologia da UniGuairacá está presente é um ambiente seguro para quem lá de forma voluntária presta serviços. Nestes momentos a união de todos pelo bem comum supera medos, receios, preconceitos e tantos outros jargões midiáticos que frustram a expectativa de uma união de todos em prol de uma vida melhor. 

O ensino, pesquisa e extensão são de extrema importância em todas instituições de ensino, porém, a vivência humanitária; o conhecimento das diversas realidades; entender e conviver e acima de tudo resolver concretamente problemas diários, que certamente não serão a salvação da humanidade, mas diminuirão um pouco o sofrimento de pessoas esquecidas e muitas vezes desprezadas pela sociedade, sem julgar e condenar, pois a nós não cabe esta prerrogativa, é também um benefício prestado por uma instituição de ensino. O curso de Odontologia da UniGuairacá entende esta situação e executa de forma digna e efetiva esta responsabilidade que assumiu. “Prometo que, ao exercer a Odontologia, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência; nunca me servirei da profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu para sempre, a minha vida e a minha arte, de boa reputação entre os homens”.