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Efeitos do isolamento social nas DTMs, por José Carlos Wagnitz

A maioria desses casos está associada ao estresse emocional, interrupção da utilização de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos.

12/08/2020 20h00

O isolamento social, indicado como medida preventiva contra o avanço da SARS-CoV 2 (COVID 19), teve repercussões diversas. Uma delas foi o aumento da incidência de DTMs (Disfunções Temporomandibulares), dos casos de Dor Orofacial, e das consequências do bruxismo (dentes quebrados, dor muscular e de cabeça).

A maioria desses casos está associada ao estresse emocional, interrupção da utilização de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos, seja pela dificuldade de comparecer às consultas com os médicos e dentistas assistentes do caso, seja pela dificuldade financeira em adquirir os medicamentos.

Uma publicação de maio de 2020 versou sobre as incertezas que acometem a população atualmente, como falta de confiança nas políticas sanitárias governamentais, medo da morte e contaminação, aumento de comportamentos higiênicos e evitativos, que somados entre si contribuem para a somação de atributos que aumentam a depressão e a ansiedade.

É um ponto conhecido que estes problemas psicológicos são capazes de desencadear uma cadeia de eventos que levam a um aumento da atividade simpática, posterior liberação de esteroides adrenocorticais que induzem a uma vasoconstrição muscular e aumento da resistência vascular periférica. Esses eventos estão comumente associados a sentimentos de calor e frio, palpitações, taquicardia, náusea e distúrbios gástricos.

 A soma de todos esses fatores autonômicos pode levar à perpetuação da contração muscular e consequente manutenção ou piora dos sinais e sintomas de DTM, dores orofaciais e bruxismo.

É ponto pacífico entre os profissionais de saúde que tratam pacientes nessa área que houve um aumento na procura e reincidência de eventos de casos de DTM, bruxismo e outras comorbidades associadas ao estresse emocional. Uma maneira utilizada pelos profissionais de saúde, que assistem esses pacientes, são a utilização de ferramentas virtuais como redes sociais e plataformas de reunião para entrar em contato visual com os pacientes, e assim, manter suas terapias de apoio e controle das condições adversas apresentadas pelos pacientes.

José Carlos Wagnitz
Graduado em Odontologia pela Universidade Estadual de Ponta Grossa
Pós-graduado em Cirurgia Bucomaxilofacial, Implantodontia, Ortodontia e Odontologia do Sono
Mestre em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial pela Faculdade São Leopoldo MandicJosé Carlos Wagnitz

Referências
ALMEIDA-LEITE CM, STUGINSKI-BARBOSA, J, CONTI, PCR, Como os impactos psicossociais e econômicos da pandemia de COVID-19 podem interferir no bruxismo e disfunção temporomandibular? J. Appl, Oral Sci vol 28 Bauru 2020 Epub 11de maio de 2020
​​​​​​​HUREMOVIC´, D. Psychiatry of Pandemics. Springer, 2020. Manhatansset, NY, USA. P55-124