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Gestor democrático, por Elizabeth Fagundes e Dirlei Cherne

A gestão democrática vai além do espaço interno da escola e interfere em toda a sociedade.

27/08/2021 11h14

O ser humano, dada a sua condição social e histórica, vive em determinada localidade e se relaciona com seus pares e com a natureza, vive em grupos, em organizações e em sociedades. Essa sociedade da qual faz parte se modifica constantemente, obrigando com isso que ele também se modifique. Nesta perspectiva, podemos pensar na complexidade do ser humano, pois, o homem é universal e singular ao mesmo tempo. Sendo universal, se identifica com a humanidade, e singular em sua personalidade, que é única e não se repete nos seus pares. Lidar com essa complexidade é que se concentra a capacidade de um gestor eficiente. 

Ao falar de gestão, devemos ter em mente que toda organização da escola e tudo o que se refere a ela, está relacionada com a organização do próprio sistema do ensino, a saber: os sistemas federal, estadual e municipal e, consequentemente, atende ao que é determinado por estes sistemas. No Brasil, inúmeras são as pesquisas sobre gestão escolar e sua complexidade. O que se busca nestes estudos é avaliar a forma como uma gestão eficaz contribui para o melhor desempenho da escola. 

Observamos então que a gestão democrática vai além do espaço interno da escola, e interfere em toda uma sociedade a partir de seu foco primeiro, que é a forma coletiva de gerir o processo educacional. Sobre isso, Lück (2010, p.25) enfatiza que a gestão escolar é “um meio e não um fim em si mesmo, o fim último da gestão é a aprendizagem efetiva e significativa dos alunos, de modo que, no cotidiano que vivenciam na escola, desenvolvam as competências que a sociedade demanda’.

Compreender a importância de um gestor com competências e habilidades que possam direcionar e aproveitar a capacidade de cada envolvido no processo educacional é tão importante quanto a prática de ensino em sala de aula. Imaginar uma escola em que o diretor, os professores, pais, conselhos, enfim, toda comunidade participe das tomadas de decisões, é imaginar uma escola realmente democrática e atenta ao seu papel de formadora de cidadãos críticos e conscientes de direitos e deveres em todo os âmbitos da vida particular e pública. 

Para ser eficaz, o gestor precisa estar atento tanto para sua atuação em seu grupo quanto fora dele. Muitas vezes a falta de certas habilidades de liderança pode causar inúmeros problemas para sua equipe, como falta de motivação, intrigas, falha de comunicação, entre outros, acarretando sérios prejuízos aos objetivos a serem alcançados. Assim, para um gestor de sucesso é preciso aprimorar habilidades técnicas e relacionamentos interpessoais para alinhar os objetivos e aspirações de todos os envolvidos no processo educacional, com a finalidade de alcançar tanto a eficácia do grupo como a motivação e satisfação de cada um dos participantes, professores, pais, alunos, comunidade. O gestor consciente sabe que não pode vencer sem as contribuições de todos. Sabe que não possui todas as respostas e, por isso, qualifica-se para reforçar suas habilidades buscando aumentar o engajamento e confiança de sua equipe pela sua competência e não apenas pelo suposto poder inerente ao cargo que ocupa.

Importante destacar que todos estes elementos são valiosos e contribuem para que a escola seja um espaço de crescimento e valorização do educando. Convém também salientar, conforme Paro (2016), que os gestores precisam ter desenvoltura tanto para diagnosticar como para propor alternativas aos indicadores de problemas nas equipes de trabalho.

É de responsabilidade da gestão escolar organizar de forma conjunta a utilização efetiva de todas as condições existentes na escola, sejam elas materiais ou humanas indispensáveis na garantia e melhoria das ações educativas em todos os espaços de ensino, norteados para a ascensão do conhecimento dos alunos, contribuindo na formação de cidadãos aptos para atuar de forma ética e compromissados frente aos desafios de seu tempo e de seu espaço. 

O gestor eficiente e capaz é aquele que delega tarefas e sabe aproveitar as qualidades de cada pessoa que está sob seu comando, reconhecendo o trabalho realizado, pois assim cada um sabe da importância que seu trabalho tem para o desenvolvimento de uma escola de qualidade e todos se mostraram comprometidos com a formação de cidadãos conscientes e participativos, que é o objetivo de toda escola que está realmente preocupada com a formação integral dos alunos.

Liderar, então, essa complexidade de relações humanas deixa de ser algo apenas ligado em aspectos administrativos e burocráticos. Neste sentido, assinalamos a importância do gestor como o indivíduo que vai convergir as habilidades de todos os envolvidos no processo educacional para atingir os objetivos propostos. 

Para concluir, salientamos que não existe liderança sem competência e nem competência sem formação. O gestor eficiente e eficaz precisa estar em constante transformação para poder manter a equipe motivada e atuante, pois o objetivo principal de todo trabalho pedagógico é a formação de cidadãos que sabem tomar decisões e atuam transformando para melhor a sociedade onde vivem.

 

REFERÊNCIAS
LÜCK, Heloisa. A gestão participativa na escola. 6. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.
LÜCK, Heloisa et al. A escola participativa: o trabalho do gestor escolar. 8. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.
PARO, Vitor Henrique. Gestão democrática da escola pública. 4. ed. rev. e atual. Editora: Cortez, 2016.