Desodorante x antitranspirante: diferenças e cuidados na utilização, por Tatiane Milão

Públicado em 02/04/2018
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Tatiane

A principal função fisiológica da transpiração é manter a temperatura corporal em aproximadamente 36°C e eliminar toxinas. O suor é produzido por meio das glândulas sudoríparas, as quais podem ser classificadas em écrinas e apócrinas.

As glândulas écrinas estão presentes em diversas partes no corpo, como palmas das mãos, plantas dos pés e fronte, atuando no processo de regulação da temperatura corporal através da evaporação, sendo que o seu funcionamento se inicia a partir do nascimento. O suor produzido por esse tipo de glândula é composto por água, ureia, íons, aminoácidos, amônia, ácido láctico e glicose. Já as glândulas apócrinas estão presentes principalmente nas axilas, aréolas das mamas, virilha e nas áreas do rosto onde nascem barba (nos homens). A produção de suor nessas glândulas é iniciada durante a puberdade e o suor liberado apresenta em sua composição, além das substâncias mencionadas anteriormente, proteínas e lipídeos, o que lhe confere uma consistência mais viscosa.

O odor gerado através da transpiração ocorre quando microrganismos (bactérias) metabolizam as proteínas e os ácidos graxos presentes no suor produzidos pelas glândulas apócrinas, transformando-os em ácidos carboxílicos, sendo estes os compostos que apresentam odor característico. Para contornar essa situação desagradável, a indústria cosmética desenvolveu produtos desodorantes e antitranspirantes.

Desodorantes são formulações que buscam reduzir a quantidade de suor produzido através de mecanismos fisiológicos. Possuem agentes de desodorização, que atuam inibindo as degradações fermentativas e/ou detém a proliferação da flora microbiana que habita nas sujidades da pele, podendo também, mascarar o odor devido à presença de fragrâncias na formulação. Os principais ativos dos desodorantes são substâncias antissépticas, como o triclosan ou irgasan. Os desodorantes podem ser utilizados diariamente, devendo evitar a exposição ao sol da área ao qual foi aplicado, pois pode manchar e causar o escurecimento da pele. Indivíduos que apresentam alergia ao desodorante podem utilizar uma solução de bicarbonato de sódio como alternativa, pois o mesmo reage com os ácidos carboxílicos presentes no suor (responsáveis pelo mau odor), transformando-os nos sais correspondentes, que não apresentam cheiro.

Já os antitranspirantes restringem a quantidade de secreção das glândulas sudoríparas na zona tratada. Estes cosméticos apresentam em sua formulação sais de alumínio (cloridróxido de alumínio é o mais utilizado), onde os cátions Al3+ coagulam as proteínas, formando estruturas que bloqueiam os dutos das glândulas sudoríparas e que reduzem a produção de suor. Esse bloqueio pode ocasionar obstrução dos poros e inflamação das glândulas. A utilização diária de antitranspirantes é contraindicada, uma vez que altera os processos fisiológicos das glândulas e evita a eliminação de toxinas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) proíbe o uso dos antitranspirantes em pacientes que realizam hemodiálise, pois como a excreção do alumínio ocorre essencialmente pelo rim, um acúmulo do metal pode causar intoxicação renal, dentre outras toxicidades que o metal exerce no organismo.

Para uso diário é aconselhável utilizar o desodorante, pois o mesmo não possui contraindicações. Sua eficácia e duração no controle dos odores é menor comparada ao antitranspirante, porém, a dica é reaplicar a substância várias vezes ao dia. Já a utilização do antitranspirante deve ser ponderada devido aos danos que o mesmo pode causar ao organismo, devendo ser utilizado apenas em ocasiões específicas, onde o excesso de produção de suor é inevitável e em indivíduos sadios (que não apresentam quadros renais ou sensibilidade ao alumínio).

 

Tatiane Milão de Oliveira
Graduada em Química pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Possui MBA em Gestão do Conhecimento na Educação Superior pela Faculdade Guairacá
Mestre em Química Aplicada pela Universidade Estadual do Centro-Oeste

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