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O que o futuro nos reserva em relação à educação? Por Wilian Jr. Bonete

O que será da educação? Como lidar com alunos, equipe pedagógica e outras demandas da cultura escolar?

18/05/2021 09h28

Em tempos de incertezas e temores que assolam a humanidade, neste momento específico diante da pandemia da Covid-19, para nós, professores e educadores, inúmeras questões surgem à tona: o que será do professor nos próximos tempos? O que será da educação? Como lidar com alunos, equipe pedagógica e outras demandas da cultura escolar? Tais questões são essenciais para nós que somos os responsáveis pela formação da atual geração de estudantes (em todos os níveis de escolarização).

Este pequeno espaço não nos permite uma reflexão apurada e detalhada sobre o assunto, mas desvela algumas angústias que muitos professores, ao redor do Brasil e do mundo, têm vivenciado cotidianamente. Mesmo assim, de maneira fundamentada, acompanharemos aqui alguns apontamentos feitos, recentemente, pelo professor Dr. António Nóvoa acerca do futuro da educação.

Primeiro - Não transformar a “anormalidade” da presente crise em normalidade, isto é, não pensar que o futuro da escola passa pelo retraimento ou clausura em espaços domésticos ou privados, através de um uso extensivo da “aprendizagem a distância”. Uma orientação deste tipo acentuaria as tendências para considerar os alunos como consumidores/clientes, bem como, as lógicas de mercantilização ou comercialização, pondo em causa a educação como um bem público. O pior da crise pode mesmo ser o pós-crise.

Segundo - Compreender que, depois da crise, os espaços-tempos escolares devem ser reorganizados, construindo novos ambientes coletivos de aprendizagem (novos ambientes educativos), que sejam também capazes de valorizar a capilaridade, isto é, a existência de possibilidades educativas em muitos outros espaços de cultura, de conhecimento e de criação. A inclusão, a diversidade e a cooperação são marcas centrais da metamorfose da escola.

Terceiro - Repensar as bases do currículo, concentrando a atenção nas linguagens (a capacidade de ler e interpretar as diferentes realidades), no conhecimento sobre o conhecimento (a capacidade de distinguir e interpretar a abundância de dados e informações) e na inteligência do mundo (a capacidade de interligar, de compreender, os grandes temas da humanidade).

Por fim, Nóvoa ainda nos aponta algumas direções acerca do futuro:

1.Um reforço do espaço público da educação, assumindo que a educação não se esgota na escola e que precisamos de novas ligações e compromissos, das famílias e da sociedade, na educação das crianças – muitas respostas à pandemia, em todo o mundo, revelaram a importância desta evolução.

2.Uma transformação da escola, com uma diversidade de espaços e de tempos de trabalho (estudo individual e em grupo, acompanhamento por parte dos professores, projetos de pesquisa, também lições, etc.), criando novos ambientes de estudo e de aprendizagem, dentro e fora da escola – as respostas mais interessantes à pandemia revelaram o sentido desta “metamorfose da escola”.

3.Uma alteração do papel dos professores, acentuando a sua responsabilidade perante a globalidade do trabalho educativo (acompanhamento, tutoria, apoio, etc., e não só “lições”), reforçando a sua ação na produção de conhecimento pedagógico e curricular e evoluindo para formas de ação colaborativa – as melhores respostas à pandemia foram resultado da colaboração entre grupos de professores.

Por fim, destaco que não devemos esquecer, jamais, que nenhuma tecnologia pode substituir o papel do professor no contexto escolar. Mesmo num momento em que se sobressaem diferentes aspectos da cultura digital, o professor é aquele que conduz o aluno pelo caminho correto. O professor é aquele que abre os olhos dos estudantes de modo que eles percebam as inúmeras perspectivas (humanas) acerca dos diferentes desafios, problemas e temas que se impõe na sala de aula (independente do formato que ela seja).

 

Referência:

NÓVOA, António. A pandemia de Covid-19 e o futuro da educação. In: Revista Com Censo #22 • volume 7 • número 3 • agosto 2020